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Escolha de Neymar passa a sensação de abandono ao torcedor brasileiro e lembra Adriano e Ronaldinho

Sempre se esperou mais do jogador pelo seu talento, mas quando ele larga a Europa e vai para a Arábia Saudita, leva consigo o desejo frustrado de milhões de torcedores, o mesmo sentimento deixado por seus compatriotas

colunista convidado
Foto do author Robson Morelli
PorRobson Morelli

A incredulidade da decisão deNeymar de trocar a Europa pelo futebol saudita tem muito a ver com seu talento e também com o que aconteceu com dois outros jogadores brasileiros de quem se esperava mais, não em qualidade, mas em tempo de carreira. Refiro-me a Adriano e a Ronaldinho Gaúcho, dois craques de uma mesma era. A sensação que esses dois atletas deixaram foi a de um vazio gigantesco no brasileiro, porque o torcedor esperava vê-los por mais tempo em ação.

Adriano parou de jogar aos 34 anos. Ronaldinho tinha 36 anos quando vestiu a camisa do Fluminense pela última vez. Eles não eram mais meninos, mas a forma com que se empenharam no futebol nessa reta final foi motivo de críticas e decepção. Esperava-se mais deles, como agora de Neymar. É mais fácil aceitar Cristiano Ronaldo e Messi longe das grandes ligas do que Neymar aos 31 anos.

Em Riad, na Arábia Saudita, camisas de Neymar Jr já são vendidas desde o anúncio de sua contratação pelo Al-Hilal Foto:Ahmed Yosri / Reuters

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No imaginário do torcedor, Adriano e Ronaldinho poderiam ter prolongado suas jogadas dentro de campo. Nenhum deles admitia na época problemas, desânimos ou situações que os impedissem de atuar, embora no caso de Adriano Imperador, sua vida já era atribulada, até mesmo com informações sobre alcoolismo e morte. Se houve algum drama, eles guardaram para si, familiares e amigos. Adriano chegou a admitir mais recentemente que parou porque perdeu a alegria e a vontade de jogar.

Essa sensação de vazio do torcedor se repete com Neymar. Como assim? Neymar vai deixar seus sonhos de lado para jogar na Arábia Saudita? O questionamento deve ter tomado de assalto seus seguidores em todos os cantos do planeta, principalmente no Brasil. Era como se ele abandonasse tudo, deixasse os brasileiros na mão em sua empreitada de se fazer o melhor do mundo, de ganhar a Liga dos Campeões... Muitos viviam em Neymar seus próprios sonhos: de ter um brasileiro brilhando na Europa como tantos outros até mais medíocres do que ele.

É inegável que todo brasileiro que brilha no futebol da Europa deixa seus compatriotas felizes. Gostando ou não desse atleta. Quando Ronaldo era escolhido o melhor do mundo, o Brasil estava com ele nas premiações, assim como também subia ao pódio nas vitórias de Ayrton Senna. Quando Neymar abre mão de tudo isso, ou ao menos de tentar, a sensação é a mesma sentida quando Adriano e Ronaldinho foram ‘derretendo’ no futebol. Há um sentimento de traição.

Também não cola sua conversa de que ele vai ajudar a desbravar, como Cristiano Ronaldo, o futebol saudita ou mesmo passar a ideia de um futebol globalizado. O futebol daquela região do planeta não é desafiador como pregou o atacante brasileiro. A verdade é que tínhamos um brasileiro querendo se dar bem em campos europeus, com todas as críticas que sempre fizemos à sua carreira. Brasileiro não desiste. E Neymar desistiu.

Ele diz que depois dos dois anos de contrato com o Al-Hilal, pretende voltar a atuar no futebol europeu. Não dá para apostar nisso porque sabemos que ninguém o quis nesta janela, e muito dificilmente vão querê-lo dois anos mais velho. Os Vinis e os Rodrygos pedem passagem.

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Neymar chega a Riad para sua apresentação como novo jogador do Al-Hilal: contrato de dois anos e salário de R$ 860 milhões Foto:Ahmed Yosri / Reuters

Neymar fez mais uma vez o que não se esperava dele. Parece um dom. Mas ninguém sabe o que se passa em sua cabeça e no tabuleiro montado para ele por seu pai. No Al-Hilal, ele se afasta dos prêmios da Fifa e das conquistas que dois de seus colegas, Messi e CR7, tiveram ao longo da última década. Quando um não ganhava o título de melhor do mundo, o outro ganhava. E assim eles foram empilhando troféus.

Neymar não tem nada disso. Foi duas vezes o terceiro melhor jogador do mundo em 2015 e 2017. E desapareceu. Era para ele herdar o trono do português e do argentino, mais velhos do que ele e que se preparavam para sair de cena. Mas alguma coisa deu errado nessa sucessão. Ainda comparado a Adriano e Ronaldinho, Neymar parece que fez menos. O que também não é verdade. Seus feitos são grandes, mas esquecidos.

Há uma diferença na carreira desses três brasileiros. Adriano tentou esticar um pouco mais sua vida dentro do futebol, passando por clubes no Brasil, mas sempre com poucos jogos e muitas lesões. Chegou a ser inscrito no Miami United, da quarta divisão dos EUA. Era o Imperador em seus últimos dias de glórias. Preferiu a companhia dos amigos do Rio e uma vida mais junta à comunidade onde nasceu e cresceu, a Vila Cruzeiro.

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Ronaldinho ainda fez muito no Atlético-MG, quando ganhou pelo clube a Libertadores de 2013. E ainda foi importante no futebol mexicano, mas bem menos no Fluminense, onde fez apenas nove partidas. Descalçou as chuteiras aos poucos, sem avisar, deixando muitos na esperança de uma volta, o que não aconteceu. Vive feliz do seu jeito.

Neymar, aos 31, tinha condições de seguir em busca de mais sonhos. Nesta sexta-feira, Fernando Diniz revelou que ele ainda quer a seleção, mais uma Copa do Mundo, quem sabe para acabar em 2026 como Messi, erguendo a taça em sua quarta tentativa. Sua escolha o tira dos grandes centros esportivos e o entrega à seleção, agora sua maior vitrine no futebol.

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